MONTE RORAIMA
A Montanha Mágica
É difícil explicar porque o Monte Roraima provoca tamanho fascínio. A montanha não é tão alta – fica a apenas 2.780 metros acima do nível do mar –, seu acesso é relativamente fácil e não possui animais mitológicos. Mas há mais de um século o lugar vem inspirando escritores, atraindo aventureiros e servindo até mesmo como cenário de desenhos animados. Em 1912, o escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle, assombrado com o relato que um explorador fez de uma viagem ao Monte Roraima no século 19, decidiu escrever o clássico “O Mundo Perdido”. Várias cenas do sucesso “Up – altas aventuras”, premiado com um Oscar em 2010, foram retiradas da geografia inusitada do lugar. Mas o que está por trás dessa atração?
O Monte Roraima, ou makunaima, significa “a morada dos deuses” na língua dos índios macuxi. Trata-se de um conjunto de formações rochosas de dois milhões de anos, que se estende por 30 quilômetros na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Mesmo tendo decorado passagens inteiras de “O Mundo Perdido”, ter lido relatos de viajantes e visto inúmeras fotos, nada me preparou para o que encontrei na primeira viagem que fiz à montanha.
Durante os dois dias em que passei pelo platô enfrentei chuva intensa e uma névoa constante que davam à paisagem toques surreais. Formações rochosas improváveis de milhões de anos, envolvidas por uma densa neblina, deram-me a impressão de estar em uma ilha sobre as nuvens, com cachoeiras despencando pelas bordas rumo a um abismo de mil metros de profundidade. As péssimas condições climáticas, que poderiam ter arruinado minha sonhada expedição, tornaram-na, pelo contrário, misteriosa.
O estranho formato das rochas, escondido aqui e ali pela névoa, lembrava seres gigantescos e animais assustadores de outras eras. Para os mais velhos, uma das referências da paisagem no topo do Monte Roraima é a série de televisão das décadas de 1970 e 1980 chamada “O Elo Perdido”. Em dias de chuva intensa e pouca visibilidade, não é difícil imaginar os Sleestacks – grandes lagartos que perseguiam os homens pré-históricos – andando pelas rochas e rios e talvez até ouvir sons de dinossauros ao fundo.
Ao se preparar para a viagem, vale ler sobre o lugar e assistir a filmes. Mas qualquer preparativo não evitará que o viajante fique deslumbrado ao chegar ao topo do platô. E, quanto mais névoa e chuva, mais inesquecível será a experiência.