CÂNIONS DO SUL
Terra de Vales Encantados
Difícil entender como tão pouca gente conhece a região a que chamo de Cânions do Sul, uma área de paisagens fantásticas, mas de difícil acesso, entre Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, e Urubici, em Santa Catarina. Relativamente perto das duas capitais – Porto Alegre e Florianópolis -, o lugar possui uma das belezas naturais mais impressionantes do Brasil, com abismos de até mil metros de profundidade, resultado de movimentos tectônicos ocorridos há cerca de 150 milhões de anos.
A região preserva a cultura de colonos europeus e os usos e costumes do gaúcho, que viajantes menos informados poderiam pensar existir apenas nos pampas. Lugares como São José dos Ausentes (RS), por exemplo, têm estâncias que conservam ainda hoje tradições da época da Guerra dos Farrapos (1835-1845), como a forma de tocar o gado, o uso do chimarrão e a dança do fandango, que levam o viajante de volta à época da saga “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo.
A beleza dos cânions do sul – e não estamos falando dos mais conhecidos, como Itaimbezinho e Fortaleza – impressiona em qualquer época do ano. Em dias claros, sem neblina, conhecida naquela parte do país como “viração”, é possível avistar o oceano Atlântico, mas a sensação é a de estar nos pampas gaúchos, tamanha a semelhança dos campos do alto da serra com as grandes extensões de terra rio-grandenses.
Aliás, a cultura dos pampas é tão forte que invadiu até a região vizinha de Santa Catarina. Por isso se diz que, culturalmente, os cânions do sul são uma área só. As divisas políticas foram esquecidas na colonização da região.