PANTANAL
Dicas do Autor
Transpantaneira. Essa inusitada estrada, que parece levar de nada a lugar nenhum, é uma ótima maneira de conhecer o Pantanal de carro. A princípio ela deveria ligar Cuiabá a Corumbá por uma rodovia que cruzaria o Pantanal, mas o projeto foi suspenso em 1977, quando o estado de Mato Grosso foi dividido em dois. A estrada começa em Poconé (102 km de Cuiabá) e termina 145 km depois, nas margens do rio Cuiabá, em um lugar chamado Porto Jofre. Fica intransitável na estação das cheias para carros sem tração nas quatro rodas e suas 122 pontes estão em péssimo estado, mas é a única maneira de viajar com segurança pelo Pantanal por terra para quem não é pantaneiro. No caminho é possível ver capivaras, jacarés, cervos, veados campeiros e outros bichos.
Serra do Amolar. A partir de Porto Jofre é Possível navegar pelo rio Cuiabá até o Parque Nacional do Pantanal, sem a mínima estrutura para a visitação – possui apenas uma casinha de madeira para os guardas parques do local. Para chegar ao parque são cinco horas com voadeira pelo rio Cuiabá. O sacrifício vale pela Serra do Amalor, a única elevação no relevo achatado do Pantanal, com 80 km de extensão. Algumas elevações ficam a até mil metros acima do nível do mar. Só nas três lagoas da região – Mandioré, Galva e Uberaba –, o visitante encontra vitórias-régias.
Importante: antes de sair de Poconé, encha o tanque do carro porque não há postos de combustível pelo caminho.
Hotel Porto Jofre (www.portojofre.com.br). Fica no final da Transpantaneira e é muito procurado por pescadores. Oferece infraestrutura para o esporte, como lanchas rápidas, além de fazer excursões para o Parque Nacional e a Serra do Amolar, uma das regiões mais isoladas do Pantanal. Vale a pena fechar um pacote com o hotel antes da viagem porque não existem outras opções de hospedagem no local.
Recanto Barra Mansa (www.hotelbarramansa.com.br). A fazenda, localizada no município de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, às margens do rio Negro, é o melhor ponto de partida para conhecer o Pantanal. Além de ser propriedade de Guilherme Rondon, um pantaneiro tradicional, fica em uma região deslumbrante, repleta de lagoas de água doce (baías) e salgadas (chamadas de salinas). Durante a seca é fácil ver a fauna nas margens do rio Negro, em prainhas de areia branca ao longo das margens. Na época das cheias, porém, só é possível alcançar a fazenda por avião. As paisagens da fazenda Barra Mansa serviram como base para o meu livro “Pantanal – o último éden”, e a maioria das fotografias publicadas foram tiradas ali. Além disso, a Barra Mansa conta com um vizinho ilustre: o compositor e violeiro Almir Sater. Não é difícil encontrá-lo pescando numa das curvas do rio Negro. Rondon, proprietário da fazenda, também é compositor e tem várias parcerias com Almir.
Importante: embora seja possível ir de carro até Barra Mansa durante oito meses no ano, a dica é ir de carro e voltar de avião. Sobrevoar o Pantanal, principalmente suas baías e salinas, é uma experiência inesquecível. Foi essa região que serviu de cenário para a novela Pantanal, exibida nos anos 1980, de Jayme Monjardim.
Refúgio Ecológico Caiman (www.caiman.com.br ). Tem a melhor estrutura hoteleira da região e é frequentemente comparado aos luxuosos lodges africanos – inclusive as diárias, bastante salgadas. Quem pode pagar, não se arrepende. O Caiman fica dentro de uma fazenda de gado no município de Miranda, Mato Grosso do Sul, onde é possível observar o dia a dia de uma autêntica fazenda pantaneira. É um dos melhores lugares para ver uma onça pintada. Durante minhas viagens à região, foi na Caiman que fotografei o animal. Cheguei a ver cinco onças em locais e horários distintos em uma única viagem. Outros bichos da região – araras azuis, jacarés, veados campeiros, tamanduás-bandeira, quatis e lobinhos – também estão sempre à vista.
Importante: como a fazenda é plana, dá para fazer longos passeios de bicicleta pelas estradas e trilhas de gado. É uma das melhor forma de observar a fauna pantaneira. Como se trata de um veículo silencioso, a bicicleta não assusta os animais.
Viagens impossíveis – ou quase
Para quem gosta de viajar para lugares inóspitos e de difícil acesso, o Pantanal é um prato cheio. Algumas operadoras de ecoturismo estão se especializando em organizar viagens pouco convencionais. A Cia. Eco (www.ciaeco.tur.br) é uma das que aceitam esse desafio. Vale propor os seguintes roteiros:
Importante: esses roteiros não devem ser feitos sem ajuda de especialistas. Mande sua sugestão para a operadora e deixe a organização por conta delas. Desse modo você pode viajar tranquilo e com a certeza de que tudo dará certo.